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 Dilma do PT, a adversária com que sonham todos os candidatos do mundo

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A adversária com que sonham todos os candidatos do mundo

Escolher o adversário é quase sempre mais importante que escolher os aliados, ensinou Tancredo Neves.  “Fiz o possível para ter Paulo Maluf como oponente”, exemplificava. “Ele era o mais vulnerável entre os nomes examinados pelo governo militar”. Entre outras razões, “porque não pareceria convincente ao tentar livrar-se da imagem de corrupto”.

Os partidos de oposição têm sorte: Lula escolheu por eles a adversária ideal. Como sabem há meses os frequentadores da coluna, como não demorarão a perceber milhões de brasileiros, Dilma Rousseff é incapaz de comunicar-se com cada parafuso da cabeça em seu lugar. Mais grave ainda, não tem nada de proveitoso a dizer.

O mais popular dos presidentes entre os institutos de pesquisas de opinião acha que elege um poste. Até uma Dilma. Ele também achou que instalaria  Aloízio Mercadante no Palácio dos Bandeirantes em 2006 e Marta Suplicy na prefeitura em 2008. Ele também achou que todos os cinemas do país atravessariam 2010 tomados por multidões em transe com a história incomparável do Filho do Brasil. Neste domingo, o sucesso do século agoniza em duas salas de São Paulo. Será despejado das telas antes do Carnaval.

Dilma é muito mais bisonha que Mercadante, bem mais desastrada que Marta e menos atraente que o filme. A cada improviso no palanque, a cada declaração em reuniões ou entrevistas, o país é reapresentado ao espetáculo aflitivo do orador sem rumo. O sujeito agride o predicado, o substantivo não cumprimenta o verbo, a concordância é chicoteada sem dó nem piedade, os gestos colidem com a garganta, a palavra volta na mesma linha sem ser chamada nem pedir licença, a voz vive inutilmente à procura do ponto seguro que não aparece. Lula trata o português com selvageria, mas é fácil entender o que está dizendo. Dilma é incompreensível.

Exagero? Vejam o vídeo (se a dicção não ajudar, recorram à legenda) que exibe a primeira parte da Oração de São Leopoldo,  pronunciada nesta sexta-feira na simpática cidade gaúcha:.

“Cês vejam o que aconteceu durante tanto tempo no Brasil. Não se investia em tratamento de esgoto. Nos países lá da Europa, Estados Unidos, no início do século passado eles investiram em tratamento de esgoto e em benefício pra população, porque principalmente as nossas crianças, as maiores e os jovens e os idosos os maiores beneficiários do tratamento de esgoto porque o tratamento do esgoto permite que a gente cuide da nossas águas, que a gente trate as águas, melhora a saúde das pessoas, diminui a mortalidade infantil, transforma a vida de cada um de nós principalmente para nós mulheres que somos mães sabemos a importância da saúde das nossas crianças e como no início da vida delas elas são tão frágeis. Por isso é muito importante essas obras que nós estamos aqui hoje apresentando pra vocês”.

Pronunciadas em 1 minuto e 11 segundos, as 138 palavras se dividem em apenas três frases. A primeira e a última poderiam ser amputadas sem anestesia. São penduricalhos de C$ 1,99. A segunda é a essência do discurso. O tratamento de esgoto é importante para todos, poderia ter resumido a oradora. Em vez disso, enfurnou-se na selva de vogais e consoantes, especialmente hostil a mentes em combustão, para produzir mais um discurso sobre o nada.

Um candidato com mais de 10 neurônios não precisa consultar marqueteiros para saber como agir num debate eleitoral. Bastaria perguntar, para ficar-se no caso específico, o que Dilma pretende fazer, se chegar à presidência da República, na área de saneamento básico. Dilma diria algo semelhante ao que disse no vídeo. Ao ouvir do moderador que teria um minuto para a réplica, o adversário confessaria que não havia entendido nada „Ÿ e cederia o tempo para que a candidata se explicasse. A explicação agravaria o desastre. Dois ou três momentos parecidos liquidariam o confronto, que no Brasil pode provocar efeitos devastadores. Lula sabe disso desde 1989.  Aprendeu com o companheiro Fernando Collor.

Os partidos de oposição, segundo o professor de eleição, não têm discurso. Têm de sobra, mas nem precisam disso. É só explorarem, com alguma competência e um mínimo de ousadia, um trunfo bem melhor que o mais sedutor dos discursos: graças a Lula, a oposição tem a adversária com que sonham todos os candidatos do mundo.

Com Blog Augusto Nunes - Veja Online

 
    

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